quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Lápis, "assim eu quis"

Lápis, aí está um objeto que fazem anos que não compro um novo. Por anos, em minha infância e adolescência, tive muitos!
No colégio, a orientação era para 2B e os HB. Para desenhar, também tinha os coloridos. Faber Castell, os lápis que eu mais gostava. Talvez até por não conhecer outros, mas o nome deles me fascinava.
Não era bom de desenho, não. Gostava de desenhar só futebol. Desenhava jogadas que davam em gol. Do Flamengo, claro.
Lembro quando ganhei o primeiro lápis com a borracha colada na extremidade oposta à ponta. Fiquei admirado, não precisava mais me preocupar em guardar a borracha em um lugar que lembrasse. Sempre as perdia! Usei aquele lápis até ele ter uns 2 cm de comprimento. Afinal, lápis se gastava, usava-se o apontador para deixar com a ponta adequada para a escrita.

Então, já pela a adolescência, veio a lapiseira. Que bela invenção tecnológica! Não precisava mais de apontador. Bastava comprar grafites, substituir aqueles que já estavam no fim e, pronto, você não gastava a lapiseira!
E ela já vinha com borracha e, que beleza!, com uma "agulha" que desentupia a ponta da lapiseira, se o grafite se prendesse ou ficasse tão pequeno que não aparecia para escrever.
Bons tempos!
Junto à lapiseira, a escrita também desenvolvia-se com a caneta. Coisa que, quando criança, não possuía. Será que a pedagogia da escrita proíbe a caneta às crianças? Usava-se lápis e lapiseiras para que elas pudessem apagar seus erros? Afinal, a tinta da caneta não se apaga(va) -- parênteses porque desconfio que hoje temos borrachas que apagam tinta de caneta, além do Liquid Paper, outra invenção importante que pude conhecer na minha adolescência.

Então, a escrita passou para a tela do computador. Cadê o lápis? A lapiseira? A caneta? Não, agora é um teclado, e um monitor, e não um papel. Errou? Delete ou backspace. Mais simples.
Inclusive, e não vou me alongar nisso, existem pesquisas que estudam a transformação na aprendizagem humana ao passarmos do analógico (escrever com lápis, ler no papel) para o digital (escrever com teclaro, ler no monitor).

Enfim, sei que passaram-se anos e anos. Vivi um momento de transformação da comunicação em um todo: tanto da escrita, leitura, como oralidade - por assim dizer a transformação do telefone fixo para o telefone móvel. Você ter que comprar e colocar ficha de orelha para poder ligar. Quantas pessoas, hoje, nunca fizeram isso?
Você sair para a rua e, caso alguém precisasse te contar algo, te comunicar, te pedir, qualquer coisa... Não, não conseguiriam. Só se você tivesse um insight de ligar para a tal pessoa. A informação não circulava como circula hoje. A vida era outra, talvez mais mansa, mais calma - vista de hoje.

Falei isso tudo para falar, hoje, que a minha vida voltou a caminhar. Saí de um círculo vicioso. Tomei o rumo da estrada e, por aí, vou andando. Sem medo, com alegria e com paz. Quis falar do lápis e da lapiseira porque eles lembram minha infância, minha adolescência. Lembram os sonhos que eu escrevia em papel. Quando os teclados, ainda que também digitaram meus sonhos, também colocaram no monitor angústias, frustrações e desesperança.

Bem, hoje, aqui estão colocando a esperança. A certeza. É essa a vida que eu quis. "Assim eu quis", tal como aprendi com Nietzsche no longínquo ano de 2001. "Assim eu quis" que fosse o meu último ano, e "assim eu quis" que fosse esse meu novo ano. De volta ao lápis, à lapiseira e ao teclado. De volta à boa vida.

domingo, 15 de abril de 2012

Saindo do labirinto

"*** *** foi removido dos seus amigos."

Assim o Facebook, através de minha decisão de desfazer a amizade com a pessoa *** *** na rede social, me deu o recado que já foi dado pelos atos de tal pessoa há 5 anos.

5 anos que tentei retomar uma amizade. E não consegui. Desisto. Por 5 anos sinto como se eu tivesse tomado um tiro no coração de uma bala perdida: sem saber por que fui alvejado.

Na vida escolhemos nossos amigos, também somos escolhidos como amigos por outros. E a amizade é um sentimento tão forte que acreditamos que jamais vai acabar. Mesmo nas brigas, nos momentos difíceis, a gente sempre acha que "uma hora tudo vai ficar bem".

Cansei de pensar isso. 5 anos, tentando, me aproximando, dando oportunidades e nada. O pior é que essa amizade entrou por este labirinto sem uma briga. Sem algo claro --por isso mesmo, um labirinto: um caminho sem referências.

Como ensinou mestre Jorge Luiz Borges, estamos sempre em bifurcações, escolhendo caminhos e deixando outros. Esta pessoa me deixou de lado ao escolher um caminho novo para ela há 5 anos atrás. As pessoas mudam: eu mudei, essa pessoa mudou. Que cada um siga seu caminho sem o outro, aliás, que eu siga meu caminho sem essa pessoa; pois ela já o faz há 5 anos.

Ficarão as boas lembranças; mas também, provavelmente, a mágoa de ter sido excluído da vida desta pessoa, sem que se explicitasse o porquê disto.

Enfim, hoje saí deste labirinto que virou esta minha amizade. Que o sofrimento fique por aqui, se possível. Que a cicatriz no coração, como a marca da bala na janela, um dia suma --ou, ao menos, não volte a abrir e a jorrar sangue.


terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Depoimento de J. Pássaro

Sabiamente eu cheguei até hoje! Quem diria? Nunca Bartolomeu diria isso! Mas Saviel me perpetuou em meu tempo como seu honesto aprendiz. Obrigado Saviel! E à quem não soube chegar, posso permitir que o velho veneno da tristeza não lhe surja efeito. Nenhum. Isso só pode nos mostrar que embora honestos, somos totalmente leais, e de certa forma, incapazes de prever o que nos pode atingir. 

Esse foi o erro de Bartolomeu. Ele parou por aqui. Mas eu não! Eu, aprendiz honesto de Saviel, segui seus passos através da irradiação tremenda e perspicaz do seu carisma, e creio eu que isso me tornou algo metafórico. Assim, sou  honesto e, em grande e total forma, leal. A música que me ilumina os olhos a partir deste dia valoroso é aquela do Rocky Balboa, Eye of The Tiger, da banda Survivor. Sinta a voz, sinta o som, sinta a força, a força que nos faz aprendizes de Saviel.
 
Nada mais pode fazer com que eu caia por mim mesmo, mas que me faça crescer donde antes caía, trazendo os olhos do tigre ao encontro da garra felina que habita o além em que Saviel vive. 
Somos o seu aquém para sempre, mas nunca o caldo desse aquém. Somos flechas que não atingem alvos; somos escudos que protegem; somos ataduras que curam do mal que há em nós e em vós.

Eu vivo no meu mundo: o meu dia! O meu dia é meu mundo! 

Não me iludi com a promessa que eu tinha me feito, a promessa de que “eu viverei para sempre como alguém do bem”. Eu nunca viverei para sempre. Saviel me ordenou, mas pela minha vida, eu sou o meu bem, o seu bem, e o bem definido por quem quer que eu seja o seu bem. Isso será a minha vida. Isso será tudo. Nada de futuro para sempre, apenas futuro até onde eu for, não tenho a eternidade, apenas o tempo. Só Saviel tem a eternidade, e, é claro, a minha eternidade.
 
Para cada vento que me sacode a paz, eu peço a honraria da vitória da minha vida: a honra de poder fazer com que a felicidade caiba em mim.

J. Pássaro, em depoimento para quem quer que seja.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Pequenas coisas e a analogia do nome próprio com a vida.

(versão completa do comentário sobre o post de Mattosquela: http://mattosquela.blogspot.com/2011/03/sol-de-si.html)

Aquele filme "Beleza americana" tem uma cena com uma fala que, na época, muito me marcou. O filme é de 1999, época em que eu fazia 19 anos e estava apaixonado não apenas por um garota - sem tê-la -, mas também pelo o próprio sentimento que eu tinha por ela. (Quem tem formação em psicologia poderá remeter isto ao conceito de idealização do meu eu naquela menina - e eu concordarei).

Enfim, a cena em questão é a de um saco plástico voando/levitanto, em um redemoinho constante, e aí um dos personagens, o garoto esquisito que tem uma câmera, pondera: "existe tanta beleza no mundo", para explicar porque ele gravava coisas aparentemente desinteressantes.

Ainda naquela época, eu já dava valor às pequenas coisas da vida. Tanto que, apaixonado como estava, eu observava aquela menina de tal maneira que descobri de quantos segundos era o seu piscar de olhos: 4 segundos.

Hoje, não sei se a vida se traduz em uma existência única aliada a um tempo constante. Eu gosto de acreditar que a vida é inconstante, tal como a música do Lulu Santos "Como uma onda", mas que podemos tentar controlá-la para torná-la constante - vivendo a controlá-la -, para, com o tempo e a experiência, nos darmos conta de que é uma vã tentativa esta de tentar controlar a vida, o tempo...

Por muito tempo, eu abria meus olhos, ao acordar, e pensava: "é hoje!". Nunca soube bem o que era que aconteceria em cada dia de minha vida que acordei assim. Esperava por algo grandioso? Sempre fui tentado a grandes momentos, grandes gestos... Queria ter sido um herói ou mesmo um mártir. Queria ser alguém que ficasse na memória das pessoas pelos grandes feitos em sua vida.

No entanto, com o passar dos anos, vi que o que eu tinha de especial não se traduzia em grandes feitos, em epopeias ou odisseias... Deixei de acordar pensando "é hoje!", para acordar pensando no que eu poderia fazer no dia que se iniciava para outras pessoas. Assim, tornei-me uma pessoa, digamos, doce, amigável, diferente, sensível, mesmo estranha para muitos. Foi outra frase que me construiu assim, uma frase que acredito tenha ligações religiosas, do tipo catolicismo mendicante: "quem não vive para servir, não serve para viver".

Tentei fazer de minha vida uma servidão de bons afetos e lealdade aos amigos. Creio que consegui. Realmente creio que atingi isto. Tornei-me paz. Tornei-me uma pessoa que as pessoas admiravam e gostavam da companhia, pois lhes dava calma, amizade e sorrisos sem gargalhadas na maior parte das vezes, afinal, nunca fui alguém deveras divertido.

"Existe tanta beleza no mundo"... E a maior delas é dar-se conta de como nós próprios somos bons e que, por vezes, devemos nos valorizar mais do que alguns sugerem nos valorizar. Pode ser que estejamos no verão, na primavera, no inverno ou no outono. Em qualquer estação, podemos estar ora felizes, ora tristes, ora melancólicos. Atualmente, sinto-me uma mistura de melancólico e triste. Mas tento, através de boas lembranças e boas palavras vindas de amigos, lembrar de alegrias - e de como a vida não é minha. Ela não é minha. Ela é de nós todos: minha, sua, tua, dela. Para uma pessoa ser verdadeiramente feliz, acredito piamente que a vida de uma pessoa é como o seu nome próprio: o usamos menos do que os outros o usam. Uso menos o meu nome do que meus amigos o usam. Que meus amigos usem mais minha vida do que eu a use.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O que pensamos ser eterno, mas nem sempre é.

Em 2001, no aniversário daquela que seria eterna, escrevi este texto.

XX de YY de 2001

AA, já gastei toda a minha coletânea de frases elogiosas e também bonitas em tudo que já escrevi para você. Portando, sinceramente não sei mais o que te escrever. Tudo que já te mostrei teve o intuito de te encantar, emocionar, alegrar e que você pudesse ver que eu posso ser seu amigo. Acredito, ou melhor, desculpa a pretensão, mas sei que te encantei como amigo, e continuo te encantando. Amo saber que você me acha um bocó. Isso só foi possível porque quem começou com essa história de encantar o outro foi você. Você é a base da nossa vida. Não tenho medo de dizer que a consideração que eu tenho por você é proporcional com a que você tem por mim. Isso me deixa tão feliz e, admito, orgulhoso, que é tão fácil de explicar o por quê de nós dois sermos amigos tão especiais. É difícil saber que uma outra pessoa tem a mesma consideração por mim do que ela por mim, mas com você fica claro. Com outras pessoas não, pode ser que algumas me consideram mais do que eu a elas ou vice-versa.

Da mesma forma esplêndida que você me disse que sou o melhor presente que você poderia receber, você é a minha maior e melhor conquista. AA, que felicidade! Né?

O exato momento em que nos tornamos amigos eu não sei precisar, mas creio que a minha parte de confiar toda a minha confiança para alguém, você!, foi num dia em que você estava triste no colégio, em 99. Você veio até mim, após ficar com o BB chorando, e me sensibilizaram suas lágrimas. Eu já sabia que o BB não conseguira ter te feito parar de chorar, e eu pensava ali que nunca eu iria poder fazer isso. Acho que é por isso que considero este momento tão eficaz ao mostrar que nós podemos nos ajudar. Ao invés de saber porquê você chorava, resolvi lhe contar o que tinha feito dias antes, o grande ato da minha vida. Se bem que acho também que o grande ato da minha vida foi lhe dar aquela rosa amarela de plástico no amigo oculto de 99. É porque você não estava na minha condição, de ver tudo ao redor. Via você escutando cada palavra, cada gesto que eu fazia, e eu te vendo, admirando o momento que eu fazia ao conseguir, somente eu, fazendo brilhar seus olhinhos, estavam tão cintilantes, tão esperançosos. Nunca esquecerei isso. Todos se sentindo um pouco invejosos por apenas você ter como desfrutar daquele momento. E como me senti você ali. Isso mesmo! Me senti um pouco você ali, um pouco amigo, um pouco sensível, um pouco esperançoso, um pouco alegre, um tanto Débora! Nossa, saí totalmente da história que estava contando, mas adorei ter fugido um pouco, acho que essa descrição do amigo oculto de 99 foi a melhor coisa que já te escrevi. Poderia parar por aqui, mas não.

Então, voltando ao assunto, resolvi lhe contar o grande ato da minha vida até então. Enviar um buquê de rosas para a CC, 6 amarelas que significavam amizade e 6 vermelhas que significavam amor. Sabia que quando você escutasse aquilo, você poderia parar de chorar e voltar a sorrir. Já que você adorava ouvir o que eu fazia. Isso foi entre 22 e 26 de setembro. Foi entre estes dias que te confirmei neste meu coração de framboesa, e acho que você me deixou entrar definitivamente no seu.
Lembro que antes, no seu aniversário em 99, você pedia a mim para ir na sua festa, eu não achava muito boa a idéia por não gostar de festa e de não conhecer o pessoal. O DD até falou que você ordenou que ele me levasse, caso contrário ele não entraria na festa. Aqui não sei se você já tinha me aceitado como amigo, mas seguramente eu ainda não te tratava como tal, você virou minha amiga mesmo quando lhe contei que tinha dado um buquê de rosas para a CC. Se arrependimento matasse, estaria morto, porque já faz tempo que eu gostaria de ter ido na sua festa, poderíamos ter nos tornados amigos antes. Mas tudo deu tão certo entre nós, que só um momento como esse não poderia nos atrapalhar.

Lembro também do nosso primeiro abraço. Foi tão esquisito e mal feito... Eu vinha andando pelo corredor para entrar na sala, você vinha vindo na direção contrária e já com os braços abertos. Eu olhei para trás e pensei que não era comigo. Aí você chegou e me abraçou, eu, todo sem jeito, tentei desviar, pensando ainda que não era para mim. Acabamos nos abraçando de ladinho... Precário! Depois a gente melhorou, né?

1999 foi um ano em que iniciamos nossa amizade leal e emotiva, foi tudo bom e tão especial, que para mim foi o meu melhor ano. O ano 2000 começou com tudo, e para mim, a nossa amizade era a base da minha vida. Por tudo, né? Meus amigos tinham saído do colégio, além da CC. Só me restou você. E isso será sempre tudo, mesmo que eu perca todos, você continuará sendo tudo. Estivemos tão bem e tão mal que aprendemos que apesar de tudo, nós somos ótimos e especiais, e que fomos feitos para estarmos juntos. Lembro que tinha prometido para a EE que eu nunca iria desistir de recuperar a sua amizade. Essa promessa foi paga, por nós dois! Pedi até aquele bichinho verde, a esperança, que tinha pousado na minha frente enquanto escrevia um texto sobre eu e você, que a nossa amizade nunca terminasse. Lembro de ter chorado. Não sei para onde foi o inseto esperança depois disso, mas sei que a esperança de nós como amigos eternos entrou em nossos corações. É claro que estou agora aqui com os olhos marejados... é por isso que digo que nossa amizade é leal e emotiva, falamos o que sentimos e nos emocionamos.

Sinto até que não é necessário escrever o que eu desejo para você neste aniversário, já que você o sabe e que todo santo dia eu já desejo. Quando saio de casa penso: "Jesus, Maria, José e AA, salvai as almas". Minha avó, aquela fofoqueira, me ensinou este salmo cristão sem o "AA", mas agora é assim que falo, já que você é meu Deus também, além do Nosso Deus, já que você também é onipresente para mim.

AA, te desejo muita saúde, mas muita mesmo, muitas alegrias, mesmo sem estar comigo, muita paz, e faça questão de eu estar com você, muito amor, muito mesmo com o BB, muita amizade, com todos e comigo, muita compreensão, algo que te facilita a vida, e muito sucesso, porque você merece mesmo e não é pouca coisa não, é muito mesmo.

Feliz aniversário, parabéns pelos ? anos de vida, vida que torna as dos outros mais encantadas.

AA, um abraço sem querer machucar suas asas, FF


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Por um tempo, todo dia lembrava daquela amizade e me entristecia fortemente; atualmente, são poucos os dias em que lembro daquela amizade e me entristeço ainda mais: brutalmente.

Amizades... Nem sempre são eternas. Por quê?

terça-feira, 22 de junho de 2010

Saviel delirando

21/11/2005

Faço hoje minhas palavras para que sejam leves o suficiente para serem atiradas para o alto. Ventando, elas iriam voar e voar. Podendo me dar o trabalho de as procurar, para juntá-las novamente.

Que seja! Sinto-me leve, capaz de escrever palavras e mais palavras que se jogam ao vento. Não para irem embora, por não serem importantes. Nada disso, muchacho! Sinto-me leve, já falei o prosseguimento desta idéia. Começo, sim, a entrar em um estado de paz, que é o meu normal.

Faço-me pazzz, e então revelo-me amante da vida e amoroso do que sou. Disponho-me, novamente, a ser feliz. Pois já sou uma pessoa feliz, ter uma vida feliz sempre pareceu-me fácil. Ainda agora, depois desse furacão que se formou e derrubou telhados, estruturas e pessoas, ainda acho que é fácil, sim. Compreensão, confiança, cumplicidade e carinho. Simples, assim tão simples.

Aos confins daquele que já sou, que posso ter mudado? Muitos, a maioria, diz que devo mudar. Não. Não fui eu quem teve um problema. Portanto, só mudo a letra, mas as palavras são as mesmas. Continuo voando, tal como a borboleta amarela. Já me fiz; já sou. Já venci. Sou aquele que é encantado, levando sutileza por aí, desbravando com os olhos e aquilo que nasce no coração. Toda minha presunção pode ser verificada, mas do que adiantaria perderem-me, por causa de caprichos teus? Confia-me teus desejos e vontades. Abra-te para a maravilha que sou e que posso servir-te como referência de bom criado sentimento e vida. Não às infrutíferas sinas de uma escuridão própria. À isto não há espaço em mim, e posso mostrar-te como não ter também. É da vitória que falamos: ao não-medo de ser aquilo que queremos ser. Não que sejam cópias de alguém. Mas que sejam o teu melhor “eu”. Sejam! Que seja!

segunda-feira, 31 de maio de 2010

A Borboleta Amarela

A Borboleta Amarela


Essa luz da lua que graceja aos amantes o sonho do eterno

Aquele formoso pôr-do-sol que ilude os poetas da noite

E o quê falar do gracioso vôo da borboleta amarela?

Ah! A borboleta amarela...


Quanta saudade do vôo leve e em belo zigue-zague!

Sutileza oferecida às pessoas desde mundo!

O quão obstinada no seu vôo é a borboleta amarela?

Ah! A borboleta amarela...


Aquela luz da lua parece não encontrá-la em lugar nenhum

Parece que ela prefere os vaga-lumes no luau dos amantes

Generosa o bastante a borboleta amarela ao deixar, não?

Ah! A borboleta amarela...


Aos poetas da noite: vocês não vêem a borboleta amarela!

É isso o que lhes traz angústia nesta vida

Por que preferem os vaga-lumes?

Ah! A borboleta amarela...


Se é no choro encarnado que lhes tira a alegria

A própria força não tem expressão essencial

É com enorme desgosto que doravante a borboleta amarela

Não os procure mais, pretere-os por terem a sina da escuridão

Fácil caminho a tomar, sem o mapa que indica o início de tudo!


Ah! A borboleta amarela...

Como pôde ela sobreviver por todos estes anos?

Sentinela da luz, amante da pureza por convicção

A borboleta amarela fez da sua vida uma paz


Quem mais poderia doar seu vôo?

Poetas da noite, não me falem em morcegos! Seus vampiros!

Objetos do horror que não se contém em vocês,

Que trazem o cinismo da conquista frívola,

A maléfica hipocrisia aos costumes assombrosos

E o derradeiro beijo da morte aos puros,

Varram-se desde chão belíssimo!

Conquistem a vergonha, não sejam oradores da má falsidade

Cumprimentem teus fantasmas, estas suas tenebrosas sombras!


Existe tanta beleza no mundo... Ah! A borboleta amarela...

Vejo-te, farei por merecê-la, minha paz.

Ser-te-ei o mais gentil dos puros, o único em mim mesmo!

Juro ser sua recompensa para sempre, minha paz.

Só há o generoso amor em meu ser, menos para os poetas da noite

Desprezo, os ignorarei, darei à eles a vergonha de si próprios.

Sou tua paz, borboleta amarela.

Ah! A borboleta amarela...



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Tenho tanta vontade de editar, modificar... de melhorá-lo, mas, ao mesmo tempo, fico com vontade de mantê-lo como foi escrito na época!

terça-feira, 4 de maio de 2010

Sem pontuação, sem controle

Preciso de um texto alegre. Que este o seja! Sem parágrafos e normas corretas de ponto vírgula e nada disso Só de letras maiúsculas É para isto que vou escrever Se não tiver um único entendimento por causa da falta de pontuação que produz ambigüidade que o seja Confuso eu e o texto É o que não deve acontecer É muito difícil saber pontuar saber virgular Para que temos que controlar as coisas Ser controlado é uma droga Mas você mesmo controlar é pior ainda Este texto está descontrolado Para o bem e/ou para o mal Quase coloquei um ponto agora Quase vacilei no meu intento Pior que isso é ter dois intentos paradoxais e ter que prosseguir em ambos porque para não me descontrolar tenho que me controlar Sem querer ponto final em nenhum dos intentos até que seja-me melhor nos dois intentos Tá sou louco precário otimista porém correto não sou um covarde que faz o que se acha errado A alegria não parece vir neste texto e em nenhum outro É o que dá não ter aprendido a controlar as palavras Mente X palavra De forma alguma Sou um rei do auto-controle mas as palavras são o que há de mais forte nesta vida É com elas que deixamos claras as coisas também com elas procuramos não fraquejar mas sim se fortalecer O que seria de mim se não conhecesse a palavra que mais me vem a mente Provavelmente este texto mostraria toda uma tristeza quase que uma fatalidade Mas não Embora não mostre mesmo alegria mostra controle Uma busca pela a espera

3/8/2004

domingo, 2 de maio de 2010

hahahaha

hoje encontrei um texto antigo! De quando eu havia defendido a minha monografia na ECO: no dia 13/7/2005.
É muito curioso... Deem uma olhada!

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ECO, não mais.

Bem, a não ser que eu tente (e passe para) o mestrado de lá.

Hoje foi o dia quase fatídico: apresentar a minha monografia. O último lance de uma faculdade que foram poucos os dias que curti. Por quatro anos essa foi uma morada infeliz, que me deixou inquieto e impaciente, mas ainda assim, mantive meus pés no chão e meu punho cerrado: fui determinado quando eu quis. Em 8 períodos certinhos, consegui finalizar o curso de Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo.

Hoje, apresentei a minha monografia: A Representação da Morte no Discurso Jornalístico - Sobre o poder ideológico das classes dominantes.

Fui aprovado, ganhando o grau 9,0. Fiquei satisfeito pela a nota, pois sei que existiam falhas no meu trabalho, já que é um ensaio que busca teorizar sobre algo. Uma dissertação, como falou a banca examinadora, que está entre um projeto experimental e uma tese de mestrado, o que fez com que todos me elogiassem.

Por fim, agradeço por todos aqueles que me ajudaram e me apoiaram em diversos momentos de minha vida na e sobre a ECO. De agora em diante: ECO, não mais.

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É... pois é, né? Não mais kkkkkkk hahaha como a vida dá voltas, meu Deus!!

terça-feira, 27 de abril de 2010

Caval(h)eiro

Caval(h)eiro

Há muito tempo atrás existiam histórias mais bonitas de amor
Dos tempos em que os homens lutavam com espadas e escudos
Brandiam-se as espadas ora pela guerra, ora pela honra
E o poder de um cavaleiro fulminava corações das mulheres

O cavaleiro lutava contra o mundo para mostrar-se um herói
Por sua honra ele não poupava esforços e sangue
Por sua amada, valia-se de coragem e intrepidez
E o amor nascia de uma epopeia

Findaram-se as lutas por um amor com espadas e guerras
A sociedade agora é civil, do cavaleiro ao cavalheiro
Mesmo a eloqüência de um amor torna-se banal
Visto que muitos casais dizem amar solenemente para a vida toda

Aff

Um romantismo epopeico de lutas com espadas perdeu espaço
Os mitos ficaram, mas suas histórias apenas são estórias para crianças
Não parecem trazer força de ousar, de lutar, de brandir!
Há muito tempo atrás existiam histórias mais bonitas de amor

Não tenho espadas, nem escudos, literalmente
Mas minhas armas são meu carinho, meu beijo, meus gestos
Meu escudo é a felicidade, a esperança, meus abraços
Uma mistura de cavaleiro com cavalheiro, este eu sou

Que vivamos nestes tempos uma alegoria daquele passado
Que façamos do amor um amor epopeico daqueles tempos
Que amemos nossa história, nosso sentimento e um ao outro
Que as centelhas surjam em nossos beijos como quando as espadas brandiam


escrito em 12/02/2006

sábado, 17 de abril de 2010

JPassaro, um cineasta

Sou um cineasta sem nunca ter filmado, sem nunca ter estudado cinema, sem nunca ter escrito um roteiro. Mas quero rodar um filme que verse sobre heroísmo, angústia, lealdade e, claro, morte. Quero um filme que dure quase duas horas, por volta de uma hora e 45 minutos. Não mais que isto.

Não quero que seja em p&b, porque filmes assim costumam me cansar, me tirar a atenção. Talvez colocaria só algumas cenas em p&b - quem sabe as cenas sobre a lealdade? Porque ou é ou não é; ou preto ou branco.

Abusaria dos closes, principalmente do super close nas cenas de angústia: o olhar e a boca dos atores seria muito trabalhado. Mas na única cena de heroísmo (sim, única. Meu filme só terá uma cena de heroísmo. Ninguém precisa ser herói mais de uma vez) farei um plano geral da ação, com a câmera se movimentando horizontalmente.

O grand finale (e não será a morte seu assunto) será sutil. Uma tentativa de canalizar o sentimento do espectador para um questionamento: o que vale ser leal? Certamente, será a cena em p&b.

A morte entrará apenas como referência: pela discussão entre o protagonista (um teólogo, mas não religioso) e o antagonista (ainda não decidido) sobre o filme O Sétimo Selo - que tanto me fascina. Ambos estarão jogando xadrez, tal como no filme é representado pela a Morte e o Cavaleiro.

Bem... Até agora, do roteiro do meu filme, só temos algumas coisas:

1) tratará de heroísmo, angústia, lealdade e morte;
2) terá um protagonista no papel de um teólogo que não é religioso, apenas é estudioso das religiões;
3) fará referência ao filme O Sétimo Selo, de Igmar Bergman;
4) o fim será sutil, aberto ao questionamento de quanto vale ser leal.

É muito pouco para se saber de um roteiro. Preciso pensar mais, construir mais esta estória.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

A vida dá voltas

13/09/2000

Engraçado como a vida dá voltas... Experiências parecidas com as do passado ocorrem com tempos diferente e pensamentos também. Acho que isso ocorre para podemos repensar os momentos, criando bases mais fortes para o nosso crescimento. A vida realmente dá voltas...
Vou falar sobre mim, com modéstia, pois eu não tenho muito do que me orgulhar. Vou falar sobre minha vivência no colégio. Até a minha primeira oitava série eu não tinha noção de nada na vida. Era como se eu vivesse sozinho numa cúpula, não enxergava nada além da minha frente. Só isso. Não olhava para os lados, muito menos para trás. Era uma tremendo de um bobão, mongol, o que você quiser. Até permitia que me chamassem de Fonseca, porque não via sua maldade.

- Thiago, você já sabe, né? – disse minha mãe.
- O quê? – me fiz de desentendido.
- Você não passou de ano.
- ... - fiquei em silêncio.

Após alguns minutos me levantei e fui à varanda, olhei para baixo e pensei: “E se eu pulasse? Adiantaria alguma coisa?” Fiquei imaginando aquela possível queda no momento que eu sem saber subia um degrau na vida. Pensei: “Não vale a pena, algumas pessoas iriam sofrer demais, poderiam colocar a culpa nelas e isso seria injusto.”

- Mãe, vou descer para o play!

Bati a porta e toquei no meu vizinho: “Vamos descer! Ah! Repeti a 8ª série.” O cara me olhou desconfiado e perguntou: “Repetiu mesmo? Calma aí, espera dois minutos.” Descemos e nem mais tocamos no assunto. Nem lembro do que fizemos naquele dia, talvez jogamos bola. Isso foi numa sexta. Na segunda começaram as aulas. Que loucura, não?

Sempre aquela fila com o hino. Fui o último da fila, não conhecia ninguém, só um antigo amigo e uma garota que eu tinha ficado no ano anterior. Eles foram muito importantes. Me sentia sozinho pela primeira vez na vida, sem ninguém para seguir. Finalmente me inventei. Enfim era eu mesmo. Passaram a me chamar de "Estranho", algo que muitos ainda fazem até hoje. Tudo bem, admito que sou. Pessoas que eu achava que era amigo me ignoravam, triste saber desse jeito. Tinha de me largar das lembranças e buscar novas amizades, estas sim verdadeiras, que até hoje existem para até depois dos amanhãs existirem. Passei a andar olhando para todos os lados, num andar malandro, mais esperto.

Esse amadurecimento continuou pela Primeira Série de forma surpreendente para mim. Aqui fincaram as amizades e novas voltas que a vida deu. Quando se repete uma vez, o repetente acha que repetirá sempre. Não é que o primeiro ano foi o mais fácil desde a quarta série? Passei sem dificuldades e ali vi que nosso destino é o nosso percurso e não que nossos atos são nosso único caminho.

Cheguei a Segunda Série e foi um ano muito bom. Fui muito feliz, fiz coisas loucas, como por exemplo a de ficar careca. Putz!, isso sim foi louco. Ainda não sei o porque disto. Já me arrependi disso. Quando andava na chuva, caía água de todos os lados, era horrível! Ainda bem que cresceu novamente, só que demorou... só tenho uma foto de eu assim, às vezes a vejo para rir. Deixei os estudos de lado, pois me sentia bem demais. Quando chegou o boletim do 1o trimestre e as primeiras notas do 2o decide largar tudo. Eu queria repetir. Falava para meus amigos isso mesmo. Eles achavam que era brincadeira, mas não era. Tentaram me ajudar, mas eu lhes disse que se eu passasse, seria um 3o péssimo e assim o vestibular seria uma grande chacota para mim. Eles aceitaram, mas queriam que eu estivesse com eles. No fundo eu também queria. Já no fim do ano passei a simular o próximo ano, sentava sozinho lá atrás da sala. Então eu repeti. Me sentia aliviado, mas preocupado com a minha precária adaptação com novas pessoas. Me adapto facilmente as coisas ou situações, mas com pessoas...sou precário.

Entrei numa turma onde eu só sabia o nome de cinco pessoas, sem conhecê-las. E ainda me sentia velho demais para eles. Lembro de ter falado com o Sales, único que já conhecia, no 1o dia de aula o seguinte: “Eu tenho certeza que não irei me dar bem com ninguém daqui. Não terei nenhum amigo.” Que coisa...

Não foi uma, foram três garotas que fizeram a vida dar voltas de novo. Me encontrei perdidamente apaixonado pela garota mais nova da sala, que me transformou em algo que eu adoro. Não foi bem ela, foi o amor que sentia por ela. Fiz uma amizade muito difícil com outra menina, que penso que foi aquela que mais me amadureceu, por tudo o que conversávamos, enfretávamos. Também encontrei a melhor amiga que eu poderia ter, como eu a adoro, eu a amo. Ela apareceu no momento certo e isso já é tudo. Ela também me ajudou a me transformar, a ter amor próprio. Se não fosse ela eu não teria me dado respeito. Passei a andar tranqüilo, olhando todos os lados, sem o jeito malandro, dando paradas de cinco segundos para sentir a paz. É essencial.

Aqui começou um gesto que muitos pensam que é por causa da geração hippie, o “paz e amor”. É somente uma homenagem para o meu tão querido avô que faleceu a 9 de Fevereiro de 1999. Sinto saudades dele, das nossas apostas, dos seus palavrões e histórias engraçadas. “Avô, seu América está ressurgindo, já o meu Flamengo voltou a ganhar títulos, deixando de morrer na praia como você vivia falando. Desculpa se eu não chorei no seu enterro, mas toda a família estava, e a minha mãe se encarregou de tudo, precisando de alguém forte que não a desanimasse. Ela fez o que você pediu: saiu junto com você do hospital, com você com seus surrados sapatos. Obrigado avô, agora estou com lágrimas.”

Eu segurei as pontas lá em casa e aquele amor que eu sentia me deu muita força para superar tudo sozinho pela manhã e forte pelo restante do dia com o sofrimento da minha mãe e irmão, ainda mais com o fim do casamento. Não sofri porque sempre soube que isso iria acontecer.

O ano de 1999 foi o melhor e o pior ao mesmo tempo: perdi uma pessoa que eu amava e ganhei uma gama de princípios e amor próprio. E o melhor: ganhei duas amigas. Meus outros amigos também foram importantes e com certeza já os agradeci.

Esse breve histórico dos meus recentes anos mostra como a vida dá voltas no mesmo lugar, em tempos e sentidos diferentes. O amadurecimento ocorre momento a momento e não pára de ocorrer. Eu agradeço a Deus por ele ter me transformado num veterano de duas medalhas (repeti duas vezes), porque dessa forma eu pude me conhecer, viver, ter amigos, sentir emoções verdadeiras e a ter bom senso. Só me falta força de vontade. É isso que esse ano quer me ensinar, mas eu reluto, apesar de querer. A vida dá voltas nesse mundo pequeno.

(fim do que escrevi em 2000)

Curioso é ver que também na Uerj e também na UFRJ aconteceu o mesmo: a vida deu voltas em tempos e sentidos diferentes, nos mesmos locais...

quinta-feira, 25 de março de 2010

Do narcisismo tatuado ou da amizade?

Acredito que preocupar-se com a própria existência é algo que, cedo ou tarde, dar-se-á em todos. Este post será um tanto narcisístico, quase uma ode ao que eu sou. Espero que leiam ele todo, pois acredito mostrar que não é apenas para mim - ainda que seja muito para mim.

Há algo que sempre me motivou a ser o que sou: o carinho das pessoas. Sinto que sou uma construção coletiva, de diversas pessoas que passaram em minha vida. Citarei algumas, tais como minha mãe (com todo seu caráter idôneo, sua calma, sua sensibilidade), meu avô materno (com seu jeito desleixado e encantador), minha avó materna (com sua simplicidade, de gostar das coisas simples da vida, de procurar ajudar o próximo, da gentileza), meu pai e sua família paterna (mais como um não-aceitamento de seus defeitos, tais como arrogância), minha tia materna (com seu jeito maluquinho e encantador, com um Q de misticismo).

Além da família, com nossos amigos vamos nos construindo, em uma intensa troca, desde a infância, passando pela a juventude. Tive amigos que mostraram-me que as dificuldades são parte mais importante da vida; mas tive amigos que mostraram-me que divertir-se era algo ainda mais importante na vida. Tive amigos que juraram lealdade e assim são até hoje; mas tive aqueles que, pelas costas, cometeram traições injustificáveis. Tive amigas que tornaram-se namoradas; bem como tive namoradas que voltaram a tornar-se amigas. Tive amigos que me compreenderam e os que não me compreenderam; uns passaram a mão na minha cabeça quando errei; outros criticaram-me fortemente por ter errado. Tive amigos que acreditei serem 100% e para sempre, mas que não os foram... E dói. Até hoje - mas ainda não me dei por vencido.

De tudo isto dito, o que queria mais comentar é que sou, um tanto, carente de manifestações de afeto: gosto de ser paparicado - não é à toa que tanto paparico meus amigos. Vocês, meus amigos, têm sido os arquitetos disto que sou. Disto que gostam, afinal, todos tentamos fazer coisas que gostamos.

Por vezes, gostaria de tatuar em meu corpo algumas palavras, frases que meus amigos expressam sobre mim. Imagine vocês encontrarem tatuado no lado interno do meu antebraço direito a frase "Você é o melhor amigo que uma pessoa pode ter", seguida de "Você é o amigo perfeito para mim, você tem consideração e se importa com as pessoas", porque são da mesma pessoa. Na batata da perna (porque ali esteve escrito no gesso que certa vez coloquei) estaria tatuado "Você é o melhor presente que eu já recebi". No peito, estaria tatuada a frase "Amo você e amo ser sua amiga. Você é uma das pessoas mais doces do mundo e eu não conseguiria mais ir para a UERJ e não ver o seu sorriso sempre amigo e os seus braços estendidos para me abraçar". Ainda no peito, mas em outro lado, estaria tatuado "Nos entendemos mesmo no silêncio, mesmo na distância". Nas costas, mais uma tatuagem "Saiba que quando penso no mundo e acho que não existem amizades que nem essas mostradas na tv, cinema e seriados (que eu até invejo), penso na nossa e percebo que estou errada". Também teria tatuado "O QUÊ é você?? Quem fez você?? Que isso, nunca conheci ninguém tão encantador em toda a minha vida..."

Creio que basta... Esta última já diz tudo: vocês me fizeram, vocês me fazem. E agora, já tenho vontade de tatuar mais! Precisaria encontrar novos lugares do corpo para tatuar belos carinhos que surgiram por aqui:

"Você não é apenas prosa. É também a melhor tradução da poesia, com seu jeito doce, amigo, compreensivo, meigo, cativante...";
"Você é um doce, um cara fora de sua época. Mas não da época atrás, dessa que vem, que ninguem sabe.";
"Existem rios de águas claras como você, que transparecem seu lado mais íntimo sem temer qualquer julgamento, que se doa ao que está ao lado, sem pedir nada em troca."

Onde as tatuar? No peito, nas costas, no braço, na perna... Em suma, todas as manifestações de afeto - estes paparicos que tanto amo e me deixa nas nuvens, ficam gravados na minha alma.

JPassaro não quis fazer deste texto um narcisismo desenfreado. De mostrar o quanto ele é/foi querido. Mas, sim, meus amigos, que gostaria de vê-los, de tocá-los TODOS os dias. Vocês são meus arquitetos, são meu combustível, são meu sangue. Sem vocês, o que sou?